Poço Katambi-2 confirma reservatórios de qualidade superior na Bacia de Benguela
A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e a Sonangol Exploração & Produção anunciaram esta quarta-feira, 6 de Agosto, a conclusão bem-sucedida das operações de perfuração e teste do poço de avaliação Katambi-2, no Bloco 24 da Bacia de Benguela. O resultado marca um momento histórico para o sector petrolífero angolano: trata-se do primeiro teste de fluxo completo realizado num reservatório de gás não associado em Angola.
O poço Katambi-2 foi perfurado a 1,3 quilómetros do poço Katambi-1, atravessando dois intervalos produtivos com cerca de 331 metros de espessura total. A avaliação confirmou a existência de reservatórios de boa qualidade, com porosidade média entre 9% e 12% e boa permeabilidade, características superiores às encontradas no Katambi-1, perfurado entre 2014 e 2015 pela BP, que na altura concluiu não existir viabilidade comercial e renunciou à sua participação no bloco.
Os testes iniciais registaram uma produção estabilizada de 41 milhões de pés cúbicos padrão por dia de gás e 1.160 barris por dia de condensados. A ausência total de água e de sulfureto de hidrogénio nos fluidos produzidos reforça significativamente a viabilidade económica do desenvolvimento da descoberta, eliminando dois dos principais riscos operacionais normalmente associados a este tipo de reservatórios.
Uma avaliação preliminar dos resultados indica que o poço tem potencial para produzir mais de 100 milhões de pés cúbicos padrão por dia — o equivalente a mais de 16.600 barris equivalentes de petróleo diários —, um volume com capacidade para contribuir de forma relevante para a optimização da produção nacional de gás.
Os resultados do Katambi-2 chegam num momento em que Angola procura diversificar e reforçar a sua base de reservas energéticas, com destaque para o gás natural, cuja procura interna e internacional continua a crescer. O Bloco 24, operado pela Sonangol EP sob a tutela da ANPG enquanto concessionária nacional, afirma-se assim como um activo estratégico de relevo para o futuro energético do país.